terça-feira, 2 de outubro de 2007

Analyze this

Já tentei fazer análise algumas vezes. Na verdade foram 3, com 3 analistas diferentes. A primeira foi há 8 anos, mais ou menos, não me lembro como achei a indicação da analista nem quanto tempo durou. Só sei que decidi parar porque, como cheguei a comentar com ela, parecia que uma conversa no bar com uma amiga teria muito mais efeito que aquelas sessões - e pelo menos teria o divertimento do álcool.

Depois de um tempo eu decidi fazer de novo, estava num ciclo muito auto-destrutivo, relembrando minha infância e culpando meus pais - principalmente minha mãe - pelas minhas agruras de então. Além desss problemas eu também me sentia meio zero à esquerda porque todas as minhas amigas trabalhavam fora, viajavam, tinham pós-graduação e eu ficava em casa, vendendo Natura e Avon.

Um belo dia o sol voltou a brilhar e eu voltei a trabalhar fora, mas continuei a análise. Até que me enchi. Não me acrescentava nada deitar lá de cara pra parede e nem saber o que falar. A cada dia de terapia eu me lamentava e queria desmarcar. Comuniquei o fato por telefone, com a analista me enchendo o saco pra ir lá e conversar. Eu parei de atender os telefonemas dela e ainda fiquei devendo uns dias de terapia. Coisa feia! Mas um típico comportamento meu (que valeria análise, talvez?): tenho dificuldade em enfrentar conflitos e bater o pé pelo que quero. Acabo simplesmente ignorando a pessoa ou a situação com a qual tenho problema.

Por último decidi tentar uma analista que seguisse uma linha diferente. As duas primeiras eram freudianas e essa última era jungiana. Começou legal, parecia promissor, mas também chegou num ponto em que a sensação era de estar patinando, não adiantava nada, não saía do lugar, não me acrescentava nada. Houve duas ocasiões em que eu pensei "ih, que catzo de analista é essa que fala uma coisa dessas?". A primeira foi quando eu estava contando que muitas vezes ficava estressada com as coisas da casa, que eu também trabalhava fora e tinha dias em que eu queria chegar em casa e ter tudo pronto, janta pronta, ser paparicada e toda essa ladainha de mulher-casada-que-trabalha-fora. Contei também que, por conta disso, uma vez eu cheguei em casa bufando, cheia de compras. Assim que o Du abriu a porta eu simplesmente virei e disse "hoje também não tem janta, não tô com saco!". Sem ele ter falado nada. Diante do meu relato ela poderia ter feito toda uma análise do meu comportamento, dizer que eu deveria ter tomado uma atitude diferente, que o Du não era obrigado a adivinhar que eu estava de TPM aquele dia e coisa e tal. Eu reconheço que ela conseguiria pelo menos uns 15 argumentos para me mostrar no que eu poderia ter agido diferente. Mas sabe o que ela me falou? Que na nossa sociedade infelizmente é esperado que as mulheres tenham algumas obrigações a mais que o homem. O QUÊ???? Isso é coisa pra uma analista falar??? Me poupe!!!

A segunda vez foi quando eu até já tinha conversado com ela sobre parar a terapia e ela veio com um papo de que eu gastei várias sessões falando sobre uma das minhas irmãs. Isso porque estava passando por uma situação DIFICÍLIMA com essa irmã, seriíssima, bravíssima, complicadíssima. Não tinha como não falar sobre o assunto, sendo que eu estava péssima, abalada, nervosa, chateada e brava. Além de tudo, era uma situação que não envolvia apenas a mim, mas também meus pais, meus sogros e meu marido. E ela acha que eu só falava da minha irmã?

Por coincidência, enquanto escrevia aqui minha irmã mais velha me ligou pedindo dicas de trânsito. Ela estava saindo da terapia.

Eu até hoje não gostei de nenhuma terapia, nenhuma analista. Não posso dizer de nenhuma delas "ah, nisso eu melhorei por causa da análise". Bem que gostaria.