segunda-feira, 13 de abril de 2009

Minha secretária do lar

Tenho uma funcionária muito boazinha trabalhando comigo há quase um ano. Ela apareceu numa dessas ocasiões em que você acha que está perdida mas no fim acaba sendo o melhor que poderia acontecer. Explico: uma outra moça trabalhava em casa 3 vezes por semana. Já a conhecia há anos, ela havia trabalhado para minha irmã e ainda trabalhava para minha mãe e minha cunhada. Me chamava pelo meu apelido. Até que um dia veio com a notícia de que iria se mudar para o interior e eu, havia acabado de descobrir que estava grávida.

Apesar do desespero (confesso que odeio limpar a casa), vi que era a oportunidade de começar tudo certinho. A moça demissionária já não era lá essas coisas, estava dando várias mancadas. Por indicação da minha irmã mais velha, em uma semana consegui a nova funcionária.

Ela é um tanto lerdinha, preciso ficar tocando o ritmo, mas de muita confiança e boa vontade. Mas o que é mais peculiar nela são as observações sobre o óbvio que ela faz. Logo que o Tato nasceu ela perguntava umas 50 vezes por dia: ele tá dormindo? Ele tá acordado? Ele tá mamando? Eu lá no quarto dele, sentada na poltrona, com ele agarrado ao meu peito e ela perguntando "ele tá mamando?". Com minha paciência peculiar me segurei inúmeras vezes pra não responder "não, ele tá cantando no meu peito achando que é microfone".

Algumas vezes não me segurei. Numa delas eu estava guardando as compras do mercado quando ela chegou, atrasada. Olhou e falou: já entregaram as compras? E eu: não! Na semana passada foi uma ótima. Estava descendo com o Tato no elevador pra ir encontrar minha irmã na Lanchonete da Cidade quando ele soltou uma bomba na fralda (esse menino tem um timing ótimo!). Subi pra troca-lo e, quando entrei, falei pra ela: fez cocô. E ela, se superando, pergunta: quem? O Otávio? E eu: eu que não fui né? Mas faltou pouco, muito pouco pra eu não falar "não, fui eu, tô toda cagada".

Ela adora um papo. Plena segunda-feira pós feriado (não decorei as regras do hífen), um mundo de coisas pra fazer e ela para, toma café, fica contando que viu uma menina no terminal de ônibus... eu, pra não falar explicitamente chega de papo e mãos à obra dou uma cortada no assunto e falo sobre o que ela tem que fazer. Geralmente não me faltam ordens porque ela dá muitas escorregadas. Hoje por exemplo tive que mandar, pela enésima vez, limpar o armário do meu quarto que já teve problema de mofo - e que ela sabia que precisa ser limpo a cada 15 dias, além de ter que trocar o antimofo. Dentro de sua lógica ela me explicou que ela limpa sempre, imagina, mas não limpou no mês passado. Estamos em 13 de abril e ela não limpou em nenhum dia de março! Faça as contas!

Meus planos são coloca-la em 2 cursos: um de culinária e outro de tarefas domésticas. Apesar de tudo, a menina tem potencial!