sexta-feira, 27 de maio de 2011

Análise escatológica de programas infantis

Faz parte do pacote da maternidade tornar-se plena conhecedora da programação dos canais infantis. Como diria o Agent Smith de Matrix, it's inevitable. Até porque nos ajuda, não tem jeito. Cedo ou tarde você se rende à babá eletrônica que te dá uma forcinha enquanto prepara o almoço ou trabalha no computador. Então que seja pelo menos num canal mais decente, com programas que te deixem tranquila quanto ao conteúdo.

Só que outra coisa inveitável pra mim é o meu gosto com relação aos programas. Eu só deixo o Tato assistir os programas que tenho saco de aguentar. O canal mais assistido aqui é o "Discoveli" (Discovery Kids em Tatês). Até tentei dar uma variada pela Cultura de manhã, mas eles mudaram a grade e voltamos ao DK. Às vezes rola um Nick Junior pra ver as pentelhas da Dora a Aventureira e da Ni-Hao Kai-Lan cedo na semana.

Tendo feito essa preleção, entro aqui para fazer uma análise de alguns programas que assistimos e sobre os quais desenvolvi teorias bem besteirológicas, que podem lembrar um pouco o espírito do delicioso e saudoso Mãe do Avesso da Fabi Dezidério, que agora tem o sério e indispensável Conversa de Mãe. Vamos lá:

- Lazytown
Puta programa chato! Aquele Sportacus é um babaca, devia enfiar aqueles "doces saudáveis" onde não bate o sol. Que pentelho, vai tomar uma cerveja, pára com os esteróides. Deixa as crianças chuparem um pirulito no final de semana, porra. O melhor desse treco é o vilão. O cara é o único que presta. Eu cheguei a achar que o Sportacus queria desenvolver uma relação totalmente proibida e criminosa com a Stephanie, mas depois eu cheguei à conclusão que o que ele queria mesmo era usar os vestidinhos dela e catar o Robbie Rotten num dark room. Ele é uma legítima barbie. Outra coisa: naquela cidade não tem mais ninguém né. As crianças vivem sozinhas em suas casas, abandonadas.

- Tootie e Puddle
Tenho duas teorias para explicar o desenho. Uma é a de que eles são life partners. Porque, né, não são parentes, são "amigos". Um vive viajando, o outro, mais sensível, fica em casa na maioria das vezes fazendo compotas e cuidando da priminha ou sei lá o quê é a Opal. A minha outra teoria é de que aquilo é o céu dos bichinhos. Todos eles já viraram linguiça e presunto e agora vivem naquele mundinho perfeito dos bichinhos, nunca trabalhando, sempre viajando e se divertindo, vivendo num lugar bucólico sem absolutamente nenhum inimigo ou vizinho chato pra aporrinhar a vida e causar uma briguinha sequer. Acho mais plausível. Tootie e Puddle, devemos tê-los encontrado na última ceia de Natal. No prato.

- Pocoyo
Eu amo! Acho tão fofo! O Tato adora também. Mas eu tenho uma teoria triste sobre ele. Eu acho que a mãe do Pocoyo não podia tê-lo e pumba, visitou uma abortion clinic. Aí agora ele, pequenininho, que mal fala, vive feliz naquele lugar que parece um céu todo branquinho, brincando com uma elefanta rosa, um pato, uma cadelinha, dois passarinhos, um polvo e uma lagarta vesguinha. E ainda pilota uma nave que pode ir pro espaço ou pro fundo do mar. Hum, você também começou a achar que isso faz sentido né?

- Sid o Cientista
Desse eu não tenho teorias, mas apenas constatações. Uma é de que o Sid tem um problema sério de saco inflamado, porque ele só anda pulando e de pernas afastadas. Ele nunca dá um passo normal, observem. Outra é de que vivem numa cidade fantasma. Só tem os 4 alunos na escola toda, só os carros da mãe e da avó do Sid circulam pela cidade.

- Mecanimais
Um tanto estúpido. Tudo de plástico, totalmente artificial. E o Sasquatch, que insuportável. Tá lá só pra cumprir cota, ô trem burro. Sempre atrapalhando, sempre as mesmas perguntas. Sobrinho do dono, só pode ser.

- Milly e Molly
Aquele desenho não faz o menor sentido. O mundinho em que elas vivem só deve existir no interior da Suécia ou da Finlândia. Visitam prisão (!?), quase se esborracham num passeio de balão, vão sempre sozinhas a uma fazenda, um dos coleguinha de classe é de outro país, pobrinho e mora num trailler (e ninguém doa uma porra dum par de sapatos pro coitado). Nada faz sentido, nada. Além de viverem uns dramas meio chocantes.

- George o Curioso
ADORARIA ter esse macaquinho. É tudo que eu tenho pra dizer.

-Angelina Ballerina
Pentelha. Sempre se estabaca no chão, estragando um lanche, um cenário, uma apresentação. Queria ver no Cisne Negro, isso sim. Fora que, provavelmente por motivos de licença de uso, são seeeeeeeeempre as mesmas músicas pra tudo.

A Fabi com certeza faria um post inteiro sobre o Hi-5! Acho que vou considerar este aqui um blog deveras importante e convida-la pra publicar um texto sobre o programa! Eu não tenho nada a comentar, mas sei que ela tem uma lista quilométrica pra fazer!

terça-feira, 24 de maio de 2011

No more chupeta, yeah!!!

Olha, se por um lado o Tato me desafia deixando de comer verduras e frutas, mesmo tendo crescido comendo sem pestanejar desde inhame até folha de beterraba, e não dando a mínima pra tirar a fralda, por outro ele me surpreende pela tranquilidade de alguns processos. A nova dele é que não usa mais chupeta. Assim, de uma hora pra outra, de um dia pro outro. Sem o menor stress.

Ele nunca foi muito apegado à "peteta", como costumava chama-la. Usava pra dormir, às vezes durante o dia quando acordava e tinha que ir direto pra escola ou algum outro lugar, mas nos entregava rapidinho quando pedíamos. Pois bem, havia 3 chupetas em casa. Ele começou com uma mania de morder até rasgar os bicos e elas foram sendo depositadas no lixo reciclável, uma a uma, até não haver mais nenhuma em casa. Como o Tato já havia caído no sono inúmeras vezes sem a tal chupeta, resolvi arriscar. "Quero mamadeira e chupeta" disse ele, antes de dormir, semana passada. "Vou buscar a mamadeira mas chupeta não tem mais, rasgou e a mamãe jogou fora", respondi. Simples assim. Pronto, estamos completando uma semana sem chupeta.

Do mesmo modo que nunca se apegou à chupeta, também nunca teve um brinquedo preferido, nem uma toalhinha ou cobertor inseparáveis. Nas adaptações das duas escolas pelas quais passou, as professoras falavam pra levar os tais brinquedinhos/toalhinhas de apoio. Ele não tinha nem nunca precisou, mal ligava pra mim! E eu sempre achei o máximo, é a melhor coisa pra ele. Quero que ele tenha as coisas dele, só dele, curta e não se preocupe se o pai ou a mãe ficaram esperando por ele. Admiro muito essa tranquilidade dele.

Mas olha só, ao contrário de que vejo por aí na internê, com algumas mães se gabando de que "o que o meu filho faz é por causa da educação, meu suor bla bla bla", eu afirmo que, sem me diminuir também, mas grande parte disso só é possível pela personalidade dele. Ele nasceu assim, ponto. Sou sortuda? Pohan, pra caramba! Só que se seu filho é mais difícil nisso ou naquilo, faça como Douglas Adams ensinou (ele é autor do "Guia do Mochileiro das Galáxias"): DON'T PANIC!!! Tuuuudo vai dar certo!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Porque eu desanimo do mundo

Ontem foi dia de uma ação especial que acontece no meu bairro (acho) anualmente: uma igreja organiza um passeio de carros antigos que sai pelas ruas arrecadando donativos. É uma bagunça, uma festa. Eu adoro! Fica com cara de cidade pequena, comunidade.

Pois bem, eles se espalham pelo bairro, cada um pra um canto e eis que um pequeníssimo grupo com 3 ou 4 ciclistas, enre seus 14-16 anos e mais um adulto estavam de bicicleta pela minha rua. Os encontramos quando saímos pra tentar almoçar numr estaurante aqui perto. Eles estavam abusando um pouco na rua que é mão dupla, até falei pro Du tomar cuidado, afinal, um puta domingão de sol, céu azul, eles animados fazendo sua parte, o que custa relevar né? Beleza, estamos calmos e felizes, os meninos passam. Eis que estamos parados no farol, que mal abre e somos cortados pela direita por um Volvo acelerado. Não deu outra, empacou nos meninos de bicicleta. Estrilou, estrilou, passou e, CRIMINOSAMENTE freou pra fazer um deles se estabacar na traseira do carro!!! Fiquei absurdamente indignada.

O carro escroto parou e o Du, meu orgulho, meu marido lindo, parou atrás pra que o imbecil não fosse folgar pra cima dos meninos. O ser nauseabundo teve o desplante de reclamar que tinha tirado a porcaria do carro dele nesta semana. Eu berrando dentro do carro "então né, mais um motivo pra dirigir feito gente". O Du, mais ponderado que eu, falou pra ele ficar na dele, já tinha passado por nós, estava claramente nervosinho e acelerado e coisa e tal. Ficou todo-todo por causa da porra de um risco (CULPA DELE, CRIMINOSO). Quando viu que estava sozinho, com todo mundo em volta mandando ele circular e deixar os moleques em paz, foi. E quase bate o carro com um táxi, só pra vocês sentirem o naipe do ser. Ah, era um tiozão de uns 50 e todos anos. Imagina: um cara nessa idade fazendo isso com meninos de 15 anos! Importante que os meninos ficaram bem. Eu até falei pra eles que às vezes é melhor deixar pra lá porque nunca sabemos que louco está na nossa frente. Mas se quisessem chamar a polícia, lá estava eu de testemunha, sem sombra de dúvida.

Olha, minha vontade era de amarrar esse cara num poste e dar tanta, mas tanta porrada até ele virar um suflê. Não consigo ser uma pessoa equilibrada e não me nivelar por aí nisso, sabe? À noite, quando voltávamos pra casa, uma outra anta, num Land Rover dando farol e apertando a gente, na rua deserta. Meu pensamento: que você bata num poste tão forte que seu cérebro voe pela janela. Tô com meu filho no carro, precisa agir assim feito um ridículo? Não sabe ultrapassar o carro e ir embora, imbecil?

Aí me pergunto: tive tanta convicção de ter o Tato, será que eu deveria mesmo ter feito isso com ele, colocado ele nesse mundo cheio de gente vazia, arrogante, desrespeitosa, rasas como a Valdirene que saiu na capa da Veja São Paulo (SHAME ON YOU, VEJINHA!). Ou será que ele vai me mostrar que vai fazer a diferença nessa loucura toda? Vou começar a mentalizar que pra cada escroto tem 15 pessoas maravilhosas andando por aí na cidade. Quem sabe não é verdade.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ainda há delicadeza na selva

Recebi na semana passada um e-mail da menina de quem adotei meu estrupício-mor, o Bart, informando sobre outros casos de adoção. Ela sempre manda os updates. Um deles me chamou muito a atenção.

Eu nem lembrava desse caso, na verdade acho que ela não me mandou mensagem na época em que o cachorrinho foi resgatado, pois eu tenho certeza de que me lembraria desta foto:


Imagine só, que o moço, dono da moto, encontrou esse pequeno embaixo de sua motoca. Como estava cheio de trabalhos no dia, não teve dúvidas: colocou o peludo na mochila e trabalhou com ele o dia todo, até poder enfim ir pra casa. Cuidou dele, se prontificou a arcar com castração e vacinas até que alguém pudesse adota-lo.

Como não se emocionar diante da delicadeza desse moço? Um moço daqueles pra quem a gente geralmente só tem reclamação, de ficar zanzando por aí com sua moto nesse trânsito maluco.

Eu fiquei com vontade de mandar um email pra ele, mas ainda não tive coragem. Talvez ele me ache boba por querer falar que o mundo é melhor por ter uma pessoa como ele, que tinha motivos pra largar o bichinho onde ele estava, mas não, mesmo numa moto, mesmo tendo que trabalhar, ele foi lá e cuidou desse cachorrinho. Vontade de falar que uma pessoa como ele só merece uma vida muito boa, merece o sucesso, merece toda a torcida de gente que ele nem conhece. Merece que a gente siga o exemplo e mexa as nádegas ao invés de ficar arrumando desculpas.

O cachorrinho? Ah, esse está ótimo! Encontrou um lar!!!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ai, jura???

Chamada da home da Folha Online:

Cantor Seal entoa hits como "Crazy" no Credicard Hall

Jura?  Sério mesmo que ele cantou uma música dele? Pra mim seria digno de nota se ele tivesse cantado "Meteoro da Paixão". Aí sim né, justifica uma chamada de capa.

terça-feira, 15 de março de 2011

The worst song EVER!!!

Voltando à essência do nome - um post no melhor espírito Bile Pura.

Ontem ao acessar o twitter vi o nome Rebecca Black entre os TT's mundiais. Fiquei curiosa mas nem dei muita bola, afinal, vira e mexe aparece lá alguém que morreu, foi preso ou sei lá o quê e que a gente não faz a menor idéia de quem seja. Hoje acessei de novo e lá estava o nome. Cliquei pra descobrir quem era a fulana. É uma pequenota de 13 anos que, graças à incrusão digital, fez uma canção, um vídeo e nos presenteou com a pior música cantada pela pior cantora já vista nesta semana (sim, porque alguém duvida que até o final do ano não aparece coisa pior?).

A tadinha é bonitinha, mas canta mal até pra um karaokê. A letra da música é tão, mas tão ruim, que só mostrando um exemplo pra se ter uma idéia: a porra da música chama Friday. Eis que uma parte da letra mui profundamente nos informa:

"Yesterday was Thursday
Today it is Friday
...
Tomorrow is Saturday
and Sunday comes afterwards"

Deu pra sentir a dor? Fora que a voz dela no refrão "Friday, Friday" lembra a voz da Fran Drescher, do seriado The Nanny. Lembram, seus velhinhos? Então, se contar não é suficiente, sofram aqui:



Então gente, tem limite né? Deu dessa coisa de achar que é só gravar um vídeo e colocar no Youtube pra que se faça o milagre. Nem todo mundo é a fofa que acabou indo cantar com a Lady Gaga. Pra curar os ouvidos da Rebecca Black dos inferno, assistam a linda Maria:


Ah, e só uma última informação: a porra da música FRIDAY foi lançada no dia 10 de fevereiro - uma QUINTA-FEIRA.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Domingo, dia tão lindo!

Domingão fizemos um passeio diferente e que me dava vergonha não ter feito nesses meus 35 anos: fomos na Liberdade! Acredita que eu NUNCA havia ido lá?

Não saímos cedo de casa. Sábado fomos visitar um amigo à noite e nós 3 acabamos dormindo tarde, pois quando voltamos ficamos assistindo "os sambas" na TV, como diz o Tato (era o desfile das escolas de samba campeãs do RJ). O resultado foi que nós 3 acordamos lá pelas 10 da manhã no domingo. Fora que, né, nesse tempo bunda que tem feito nem vale a pena sair cedo da cama pra ver se dá pra sair. Mas enfim, acordamos e, 2 cachorros, 4 gatos, café, louça e quintal lavado depois, saímos buscar a Dinda e a Carol para o passeio. E já eram umas 12:30.

Chegamos lá e eu já tive espasmos de alegria ao passar pelos mercadinhos e ver maços e mais maços de chingensai, ou acelga chinesa, que eu simplesmente AMO de paixão. Só não me atrevi a perguntar o que eram as outras verduras porque a mocinha que atendia não falava nicas de português.

Estômago falando "oi, eu estou aqui" e já era hora de ver as opções de comida. Vi uma por uma das barracas e decidimos comprar um yakimeshi pro Tato e um udon pra mim. Veio o prato do Tato e eu pensei comigo "xii, cenoura, vagem, cebola... tá que ele vai comer". O Du teve que ficar equilibrando meu baldinho de udon enquanto eu carregava Tato, prato, mochila e bolsa até um ponto mais tranquilo para a refeição. Bem, isso significa que sentamos na calçada e mandamos ver. E não é que o putico comeu? Comeu direitinho o arroz dele, cheio de vegetais que ele recusa toda santa vez que eu ofereço em casa. Só parou de comer quando eu pedi pro Du assumir a alimentação do garoto e ele me viu comendo o macarrão. Aí quis comer o macarrão comigo. Depois ainda provou o guioza que minha irmã linda trouxe sem eu pedir e que estava uma coisa de delicioso. Tava tão feliz o menino! Enchia o coração de alegria de ver o quanto ele estava curtindo.

Depois andamos um pouquinho pela Galvão Bueno pois eu queria achar a tal da Bakery Itiriki pra provar o suco de pobá mas não tinha a menor idéia de onde o lugar ficava. Bom, não era nessa rua. Era na Rua dos Estudantes, onde fomos depois. Minha santa irmã achou uma mesa perfeita com o Tato enquanto o resto da tropa escolhia quitutes. E eu, emocionada, pedia meu suco de pobá de morango!

Tudo o que eu sabia sobre esse tal suco era que ele tinha lá suas opções de sabor e vinha com as tais bolinhas no fundo, que pareciam sagu, e que por isso o suco vinha com um canudo de bom calibre pra degustar as tais bolotas. E lá veio meu copo, com um líquido rosa Barbie e bolinhas escuras  no fundo. Provei. Puuuuuuuts, achei tão ruim! Parecia suco de chiclete! E as tais bolinhas sem gosto nenhum! Fiquei chateada porque não consegui tomar nem 1/10 do negócio.

Saímos, parada em uma última lojinha que dava comichão de comprar tanta coisa legal, mais uma parada pra adquirir meu chingensai por R$ 3,00 o maço e enfim, buscar o carro no estacionamento absurdo que cobra uma fortuna imensa porque fica mais perto da feira.

Todo mundo no carro, Tato lindo manda um "mamãe, tô com sono" e se entrega ao descanso, depois de comer yakimeshi, udon, guioza, visitar lojas e chamar as lanternas japonesas de bexigas! Já dá vontade de pensar no próximo passeio! O que vamos aprontar no próximo final de semana hein?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Apocalypse Now

Ufa. O começo do ano foi meio apocalíptico. Posso estar exagerando um tanto, afinal eu sou daquelas que "over react" pra quase tudo que acontece, mas que foi foda, foi.

Preocupações sérias com saúde, Tato mudando de escola, contas assustadoras, Du sofrendo, empregada partindo, minha vida profissional em cheque. Não foi nada fácil. Teve dias que a minha impressão era de  que as 24 horas não passariam nunca, de tão pesadas, tão angustiantes. Foi muito cansaço mental e físico, muito mesmo. Há 3 semanas eu estava atingindo um ponto que parecia o limite, dava desespero pensar que eu não tinha como ficar parada e descansar um pouco. Tinha o Tato pra cuidar, a casa pra limpar, as encomendar pra entregar e a vida pra tocar. 15 minutos que eu parasse significavam coisas não feitas e que ninguém mais faria.

Mas o tempo passou e curou muito. Os problemas de saúde controlados, o Tato amando sua escola nova, as contas entrando nos eixos, Du bem (de saco cheio, mas bem), empregada nova em treinamento, minha vida profissional ainda na balança.

Ainda há muito que se fazer, mas aquele desespero se foi. Já consegui voltar ao meu capricho de madame de fazer as unhas toda semana e mante-las bonitas por mais de 2 dias. Eu só queria não ser tão tonta a ponto de despender tanta energia pensando em coisas feias. Quando tudo está bem eu fico com tanto medo que começo a desconfiar que alguma coisa ruim se avizinha. Por que eu não canalizo toda essa criatividade em pensar catástrofes pra pensar coisas boas, não é mesmo?

Já são 35 anos e eu não consegui aprender. Já tenho idade mais do que suficiente pra ter aprendido que não dá pra controlar tudo, que a vida acontece do que jeito que tem que acontecer mesmo que a gente planeje tudo pra ser de outra forma. E que é muito melhor passar por tudo com um sorriso no rosto e a leveza de não levar tudo tão a sério. Mas acho que vou precisar de mais 35 anos pra colocar em prática.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

E no meio do dia, quando tudo parecia uma merda, difícil, o cansaço era muito, a paciência era pouca, a cabeça só girando em torno das coisas a fazer e eu mal prestando atenção no meu filho lavando as mãozinhas depois de almoçar, eis que ele vira pra mim com o sorriso mais lindo do mundo e diz:

- Feliz mamãe, muito feliz!

Só pude abraçar chorando, amando ele um tantão mais e me gostando um tantão menos.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

One desperate housewife

Para dar um pouco de glamour à situação e diminuir o impacto psicológico (e principalmente físico) que a decisão vai me trazer, digo que seguirei o exemplo das mulheres européias e americanas que não nadam em rios de dinheiro: não terei empregada.

Provavelmente sucumbirei à necessidade de encontrar outra assistente de palco, como diz a Fabi do Mãe do Avesso, mas por um bom tempinho ficarei só, entre paninhos, vassouras, rodos e produtos de limpeza. Serei como nossas mães e avós, que cuidavam da casa e de sua renca de filhos sem uma funcionária do lar. Minha mãe cuidou de 4 filhas assim. Minha avó, de 5 filhos. Eu tenho só 1 rebento. E mais 4 gatos e 2 cachorros. E quintal, 4 banheiros e um monte de camisas sociais para passar.

O drama todo é que minha assistente está me estressando mais do que me ajudando. Sobra muita coisa pra eu fazer pelo salário desembolsado todo mês. Muita coisa mal cuidada, muito equipamento quebrado, muito produto desperdiçado. Está doendo ver minhas coisinhas tão desleixadas, minha camisetinha branca novinha largada há 20 dias suja. Eu é que cuidei dela. Depois teve o episódios dos 6 litros de Omo concetrado gastos em 15 dias. A minha bronca desencadeou todo um drama na cabeça da funcionária - ela achou que eu a estava acusando de roubar, disse que até pensou em largar o emprego, depois pensou em me dar a bolsa dela pra revistar todo dia antes de ir embora. Eu disse que era exagero, só tinha ficado putíssima pelo desperdício. Se desconfiasse de roubo, já a teria dispensado.

Ainda teve o dia da cara de pau: saí com marido e filho pra passear no parque, na semana entre Natal e Ano Novo. Cheguei em casa às 13:45 e a linda já tinha se mandado, sem avisar, sem pedir, sem ver se eu precisava dela. E minha blusinha branca lá no cesto de roupas, sujinha ainda. 

Já conversei, conversei, conversei, conversei. Na última sexta-feira falei que uma das cagadas foi largar paninho molhado no banheiro do meu filho depois de lava-lo, além da vassoura que sempre é esquecida no meu. Precisa prestar mais atenção moça, tem que deixar tudo arrumadinho depois de limpar. Hoje, encontro de novo os paninhos encharcados no banheiro do Tato, as coisinhas dele todas fora de lugar e, como obra máxima, uma leiterinha que usei pra fazer gelatina majestosamente guardada na gaveta e absolutamente suja, ainda com os restos da gelatina.

Chega. Deu no saco. Pra fazer assim faço eu mesma e ainda não gasto dinheiro. Não entra na cabeça que tem que separar roupa branca de colorida, que roupa delicada se lava na mão, que o ferro de passar tem botão certo de virar pra ligar e desligar, que não pode colocar um pano de prato molhado em cima de uma camisa social no cesto de roupa suja e lá ficar. Que as coisas tem que ser feitas com capricho, devagar. Que se tem dúvida, é pra falar com a chefe, não sair decidindo por conta.

Vou me lascar, vou fazer malabarismo pra entreter o Tato e ainda cuidar de tudo, mas vou cuidar do meu ninho eu mesma.

Update: eu não iria manda-la embora pois ela veio com uma bomba sobre sua vida pessoal. Eu não teria coragem de manda-la embora numa hora em que ela estaria numa situação difícil, mas mesmo assim conversei com ela sobre os episódios de ontem, sobre entender que ela estava de cabeça quente e que, mesmo assim, as coisas precisavam andar no trabalho. No final das contas ela mesma quis sair. Acertamos tudo, ela pediu desculpas e partiu para enfrentar a vida nova.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Everybody Loves Raymond - e as mães, só sifu

Semana passada estava assistindo a um episódio de Everybody Loves Raymond que acabou sendo muito valioso para refletir. Portanto, oremos.

Era um episódio especial de Natal. O Raymond estava tramando com o irmão como iria fazer para ir jogar golf (ou golfe?) bem na tarde de Natal. Eis que o gigantão conta que a Debra vai dar uma gravata de presente ao marido, e eles chegam à conclusão de que um jeito ótimo seria o marido comprar um presente superultramega supimpa para ela, que então se sentiria culpada por dar algo tão furreca e deixaria seu cônjuge partir para a gandaia com seus amiguinhos.

Chega o dia de Natal. Raymond dá o presente que ela queria e mais um super especial. E lá vai ela dar o presente dele... a gravata era para o cunhado lerdo. O presente do Raymond foi um DVD player e mais alguns de seus filmes favoritos. Surpresas, queixos caídos e eles caem numa discussão. Até que ele a acusa de se fazer de mártir por todo seu sacrifício em casa. E ela diz que ele tem razão! E então comunica que vai cochilar pois está super cansada por ter acordado às 5 da manhã. Fala para o marido cuidar das coisas a partir dali, deixando a mãe dele terminar a ceia de Natal - coisa que a véia chata estava louca pra fazer mesmo. Aí ele pergunta: "mas então eu não posso sair mais?", ao que ela responde: "lógico que não!! Senão eu vou ter que continuar trabalhando e me sentir uma mártir. Fica aí".

O fato é que por mais que a gente se esforce por divisão de tarefas, eu acredito que não tem como nós mulheres não vestirmos essa carapuça de mártir muitas e muitas vezes. Ou eu estou muito, mas muuuuuuuuuuito enganada, ou o normal é que sem nós e nossa lista de tarefas de várias colunas e infinitas linhas a vida cotidiana não segue. Seja uma mulher que manteve sua carreira profissional trabalhando fora, seja aquela que está se dedicando à família ou que mantém uma atividade autônoma em casa, o que acontece é que se ela não faz, ninguém mais vai fazer compras pra abastecer a despensa, não vê se os cachorros precisam de ração ou ir ao veterinário pra vacina, não regulam os horários dos filhos, não ficam ligados no que a criança comeu, deixou de comer, se tem almoço ou jantar prontos, se tem frutas e verduras para oferecer a seu filho (e ele recusar, claro), se as contas estão pagas e por aí afora. Se ela resolver que vai se jogar no sofá o resto do dia, para tudo. Não tem ninguém pra assumir.

Por que tudo isso? Porque hoje meu marido me ligou pra dizer que uns amigos haviam combinado de sair neste sábado após o almoço para degustar uma cerveja especial. E lógico, em princípio, só homens! Tive um ataque de mulherzinha. Eu também quero sair! Eu também quero rir, beber, conversar, aproveitar! Ah, depois eu soube que vão as mulheres também. Mas e aí? Eu tenho que levar o Tato junto. Tadinho, não é culpa dele, mas ir num boteco bebericar cerveja com o filho de 2 anos a tiracolo é bem diferente do que poder aproveitar a saída sem a responsabilidade de fazer seu filho ficar na mesa, dar lanche e suco no horário e deixar a mãe também papear e brincar - e se alcoolizar um tantinho.

Pois é. Quem mandou querer ter filho não é mesmo? Agora aguenta!*

*comentário puramente irônico para tirar sarro da própria situação, em tom de desabafo e pedido de cafuné. Amo profundamente meu rebento, nunca me arrependi nenhum segundo de tê-lo em minha vida, ok?