quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

E no meio do dia, quando tudo parecia uma merda, difícil, o cansaço era muito, a paciência era pouca, a cabeça só girando em torno das coisas a fazer e eu mal prestando atenção no meu filho lavando as mãozinhas depois de almoçar, eis que ele vira pra mim com o sorriso mais lindo do mundo e diz:

- Feliz mamãe, muito feliz!

Só pude abraçar chorando, amando ele um tantão mais e me gostando um tantão menos.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

One desperate housewife

Para dar um pouco de glamour à situação e diminuir o impacto psicológico (e principalmente físico) que a decisão vai me trazer, digo que seguirei o exemplo das mulheres européias e americanas que não nadam em rios de dinheiro: não terei empregada.

Provavelmente sucumbirei à necessidade de encontrar outra assistente de palco, como diz a Fabi do Mãe do Avesso, mas por um bom tempinho ficarei só, entre paninhos, vassouras, rodos e produtos de limpeza. Serei como nossas mães e avós, que cuidavam da casa e de sua renca de filhos sem uma funcionária do lar. Minha mãe cuidou de 4 filhas assim. Minha avó, de 5 filhos. Eu tenho só 1 rebento. E mais 4 gatos e 2 cachorros. E quintal, 4 banheiros e um monte de camisas sociais para passar.

O drama todo é que minha assistente está me estressando mais do que me ajudando. Sobra muita coisa pra eu fazer pelo salário desembolsado todo mês. Muita coisa mal cuidada, muito equipamento quebrado, muito produto desperdiçado. Está doendo ver minhas coisinhas tão desleixadas, minha camisetinha branca novinha largada há 20 dias suja. Eu é que cuidei dela. Depois teve o episódios dos 6 litros de Omo concetrado gastos em 15 dias. A minha bronca desencadeou todo um drama na cabeça da funcionária - ela achou que eu a estava acusando de roubar, disse que até pensou em largar o emprego, depois pensou em me dar a bolsa dela pra revistar todo dia antes de ir embora. Eu disse que era exagero, só tinha ficado putíssima pelo desperdício. Se desconfiasse de roubo, já a teria dispensado.

Ainda teve o dia da cara de pau: saí com marido e filho pra passear no parque, na semana entre Natal e Ano Novo. Cheguei em casa às 13:45 e a linda já tinha se mandado, sem avisar, sem pedir, sem ver se eu precisava dela. E minha blusinha branca lá no cesto de roupas, sujinha ainda. 

Já conversei, conversei, conversei, conversei. Na última sexta-feira falei que uma das cagadas foi largar paninho molhado no banheiro do meu filho depois de lava-lo, além da vassoura que sempre é esquecida no meu. Precisa prestar mais atenção moça, tem que deixar tudo arrumadinho depois de limpar. Hoje, encontro de novo os paninhos encharcados no banheiro do Tato, as coisinhas dele todas fora de lugar e, como obra máxima, uma leiterinha que usei pra fazer gelatina majestosamente guardada na gaveta e absolutamente suja, ainda com os restos da gelatina.

Chega. Deu no saco. Pra fazer assim faço eu mesma e ainda não gasto dinheiro. Não entra na cabeça que tem que separar roupa branca de colorida, que roupa delicada se lava na mão, que o ferro de passar tem botão certo de virar pra ligar e desligar, que não pode colocar um pano de prato molhado em cima de uma camisa social no cesto de roupa suja e lá ficar. Que as coisas tem que ser feitas com capricho, devagar. Que se tem dúvida, é pra falar com a chefe, não sair decidindo por conta.

Vou me lascar, vou fazer malabarismo pra entreter o Tato e ainda cuidar de tudo, mas vou cuidar do meu ninho eu mesma.

Update: eu não iria manda-la embora pois ela veio com uma bomba sobre sua vida pessoal. Eu não teria coragem de manda-la embora numa hora em que ela estaria numa situação difícil, mas mesmo assim conversei com ela sobre os episódios de ontem, sobre entender que ela estava de cabeça quente e que, mesmo assim, as coisas precisavam andar no trabalho. No final das contas ela mesma quis sair. Acertamos tudo, ela pediu desculpas e partiu para enfrentar a vida nova.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Everybody Loves Raymond - e as mães, só sifu

Semana passada estava assistindo a um episódio de Everybody Loves Raymond que acabou sendo muito valioso para refletir. Portanto, oremos.

Era um episódio especial de Natal. O Raymond estava tramando com o irmão como iria fazer para ir jogar golf (ou golfe?) bem na tarde de Natal. Eis que o gigantão conta que a Debra vai dar uma gravata de presente ao marido, e eles chegam à conclusão de que um jeito ótimo seria o marido comprar um presente superultramega supimpa para ela, que então se sentiria culpada por dar algo tão furreca e deixaria seu cônjuge partir para a gandaia com seus amiguinhos.

Chega o dia de Natal. Raymond dá o presente que ela queria e mais um super especial. E lá vai ela dar o presente dele... a gravata era para o cunhado lerdo. O presente do Raymond foi um DVD player e mais alguns de seus filmes favoritos. Surpresas, queixos caídos e eles caem numa discussão. Até que ele a acusa de se fazer de mártir por todo seu sacrifício em casa. E ela diz que ele tem razão! E então comunica que vai cochilar pois está super cansada por ter acordado às 5 da manhã. Fala para o marido cuidar das coisas a partir dali, deixando a mãe dele terminar a ceia de Natal - coisa que a véia chata estava louca pra fazer mesmo. Aí ele pergunta: "mas então eu não posso sair mais?", ao que ela responde: "lógico que não!! Senão eu vou ter que continuar trabalhando e me sentir uma mártir. Fica aí".

O fato é que por mais que a gente se esforce por divisão de tarefas, eu acredito que não tem como nós mulheres não vestirmos essa carapuça de mártir muitas e muitas vezes. Ou eu estou muito, mas muuuuuuuuuuito enganada, ou o normal é que sem nós e nossa lista de tarefas de várias colunas e infinitas linhas a vida cotidiana não segue. Seja uma mulher que manteve sua carreira profissional trabalhando fora, seja aquela que está se dedicando à família ou que mantém uma atividade autônoma em casa, o que acontece é que se ela não faz, ninguém mais vai fazer compras pra abastecer a despensa, não vê se os cachorros precisam de ração ou ir ao veterinário pra vacina, não regulam os horários dos filhos, não ficam ligados no que a criança comeu, deixou de comer, se tem almoço ou jantar prontos, se tem frutas e verduras para oferecer a seu filho (e ele recusar, claro), se as contas estão pagas e por aí afora. Se ela resolver que vai se jogar no sofá o resto do dia, para tudo. Não tem ninguém pra assumir.

Por que tudo isso? Porque hoje meu marido me ligou pra dizer que uns amigos haviam combinado de sair neste sábado após o almoço para degustar uma cerveja especial. E lógico, em princípio, só homens! Tive um ataque de mulherzinha. Eu também quero sair! Eu também quero rir, beber, conversar, aproveitar! Ah, depois eu soube que vão as mulheres também. Mas e aí? Eu tenho que levar o Tato junto. Tadinho, não é culpa dele, mas ir num boteco bebericar cerveja com o filho de 2 anos a tiracolo é bem diferente do que poder aproveitar a saída sem a responsabilidade de fazer seu filho ficar na mesa, dar lanche e suco no horário e deixar a mãe também papear e brincar - e se alcoolizar um tantinho.

Pois é. Quem mandou querer ter filho não é mesmo? Agora aguenta!*

*comentário puramente irônico para tirar sarro da própria situação, em tom de desabafo e pedido de cafuné. Amo profundamente meu rebento, nunca me arrependi nenhum segundo de tê-lo em minha vida, ok?